“Todos os nossos conhecimentos, passados, presentes e futuros, não são nada em vista do que não saberemos jamais.” - Tsiolkolvski
Ao deleite literário de alguns minutos de folga em um dia como outro qualquer me deparo com essa frase… uma breve constatação que abre portas para um infinito mundo de doces devaneios.
Perguntas aparecem de forma breve e com respostas que muitas vezes nem precisam se apresentar de forma argumentativa, algumas narrações me vem, outras respostas apenas são sentidas em palpitações à flor da pele.
Esse infinito particular pulsante, minado de alegrias em diversos cantos, alguns pontos obscuros a serem desvendados em caminhos desconhecidos dentro de mim mesma. Lembranças compõe outros espaços, como há também aqueles lugares onde a memória decidiu se fazer de doida e “esquecer”.
Aí saio de meus devaneios e sinto o momento presente, uma linha tênue onde o tempo faz consideráveis mudanças, algumas aproveitam conhecimentos que se encontram guardados em meu infinito particular, outros a serem provados enquanto vivo o presente momento.
A grande arte de viver é tão deliciosa e passa tão rápido que o ciclo de memórias apenas se enche mais a cada segundo.
Acredito que a única coisa nesse circo de percepções, conhecimentos adquiridos, reutilizados e constante aprendizado, o que não se pode excluir, e o que há de mais belo no espetáculo é a grande alegria de se reinventar sem deixar de ser quem realmente é.
Vem seguindo o vento e, de certa forma, o aconchego. Desde o primeiro instante em que tive o prazer de te ter nos braços eu soube que muitos sorrisos ainda se abririam em meu rosto… pois bem, acertei em cheio naquelas vãs constatações de um passado que não se faz tão distante. Nesse passado mora uma história e que hoje continuamos construindo juntas, tijolo com tijolo num desenho mágico. Em completar essa frase com um dizer do Chico, me recordo de todas as vezes que fiquei no teu corpo feito tatuagem, bem como nos perpetuamos uma na outra como uma cicatriz risonha e corrosiva. Sabe, esse jeito manso que é só seu, que rouba os meus sentidos, que viola os meus ouvidos com tantos segredos lindos e indecentes me faz um bem enorme… É tanto querer que tu me faz ter vontade de brincar no teu corpo feito bailarina, pra acordar nos teus braços com a sensação de fazer samba e amor até mais tarde e ter muito sono de manhã.
Eu te vejo de longe, procuro entender o leve desvio de comportamento causado pelo que há em volta. Organismos orgânicos, pensamentos dispersos, uma música ao fundo, e o redor tonteando o que há em mente.
Complexo demais, simples o bastante. É… quem sabe sem saber é o indivíduo mais sagaz.
Talvez o que há de grande nesse instante seja apenas a busca de um sorriso teu para quebrar o gelo, me sinto no inverno Europeu sem sequer um dia ter colocado meus pés naquela neve que cobre o solo.
É o sopro frio que perpassa a minha mente, porém eu tenho fé em assistir a aurora, e logo mais com o teu sorriso sentir o calor voltar aquecendo meu corpo e minha alma, exatamente da forma como tu está contida em mim.
É morena, tá tudo bem. Esse bem que eu tenho em minha vida, que me traz a paz de te ter formando um par com o meu ser é o que me faz buscar e ter uma vontade de viver, construir e escrever meu nome na história, tendo enormes significados, sobretudo dentro de ti.
Essa cicatriz risonha e corrosiva que permanece marcada a frio, ferro, fogo e em carne viva, faz meus sentidos voarem por aí sem sair do teu lado.
Agora eu queria estar contigo sem dialogar comigo como estou neste momento… mas sei que isto é importante, sempre é.
Guardo essa saudade e vou somando até te encontrar novamente pra sentir o calor do teu beijo e o acalanto do teu abraço apertado.
Boa noite.
Carinhosamente,
Um alguém que te quer muito.
Enquanto a chuva cai na rua me pego pensando nos meus últimos acontecimentos, acho que esse tempo acaba me tornando mais receptiva para certas reflexões.
Foram tantas pessoas, tantas feridas, erros e acertos, que a paz demorei um pouco para admitir. Posso dizer que essa paz me chegou com um sorriso, às vezes me vem como birra nas tuas atitudes, ou com um amasso em cima de uma cama.
O aroma é algo incrível, sinto teu cheiro ainda em mim, mesmo depois daquele tchau que aconteceu há horas atrás. Meu corpo já absorveu o teu suor, mas eu ainda te sinto forte por aqui.
Saudade estranha, saudade boa da tua boca na minha, do teu corpo no meu. Somos e acontecemos de uma forma tão gostosa que o fato de gostar é inegável. Eu posso dizer que é saudável.
Sabe, esses teus olhos estão cravados em mim… da mesma forma como repousou teu rosto nos meu ombro ao som de belas melodias no balançar de um ônibus, que em seu trajeto apenas trouxe mais vontade de estar por perto.
Eu apenas sei que o certo e o incerto a gente vai saber, como também sei que tem espaço de sobra no meu coração e que eu vou levar a tua bagagem e o que mais estiver à mão.
Estou há alguns passos do portão de casa. Estou pensando em ti. Não sei o que é, muito menos o que se passa nesse meu aqui e agora. Esse lance de tempo, de fuga, de realidade é complexo demais quando a mente voa.
Os motivos a fim de gritam e passam por cima dos meus motivos por que. Tenho sem ter, tenho apenas tendo. Não sei se eu estou tão sério, ou se faço uma sacanagem comigo mesmo. Acho que peguei o tempo e brinquei com ele. Apenas assim, como o relógio no jogo de xadrez.
Sei que quando jogo preciso pensar no meu movimento, tento imaginar o movimento de meu adversário e baseado nisso preciso ter noção da minha próxima jogada. Em outros tempos eu costumava dizer que a vida era semelhante a um jogo de xadrez, exatamente por isso.
As coisas mudam, e mudamos em conjunto, afinal o nosso estoque de conhecimento contido em nossa biografia nos faz estar em análise em todos os momentos. Tranquilo é respirar e pensar sem desespero, refletir e tentar compreender. Apavorante é não saber responder. Enquanto arquitetamos não refletimos de fato, se os próximos segundos são incertos, que dirá os próximos dias.
A imaginação voa quando encenamos em nossa mente as situações futuras. Apenas conseguimos fazer isso quando nos baseamos em um passado, distante ou não, mas sempre em um passado. O presente do pensar não aprecia as surpresas do futuro, que na maioria das vezes não se fazem distantes. Quem faz o tempo correr ou se arrastar somos nós mesmos.
Tu permanece na minha mente, desde o primeiro dia. A minha imaginação ferve, faz planos, encanta e desencanta. E no futuro que nunca se fez distante tu sempre quebra os meus joelhos de um jeito doce.
Pode ser que essa parte da vida cheia de surpresas seja apenas o incerto que se faz certo.
Não sei se me faço entender, falo contigo em meus pensamentos, ouço o teu tom de voz na minha cabeça. É engraçado essa forma perfeita em que tu plantou as tuas raízes em mim.
Entre planos mirabolantes, passado e futuro não distantes, tu já cravou as tuas unhas no meu corpo e na minha biografia.
A noite começa a brilhar na rua, e a boêmia me leva pra rua. Paro no primeiro bar que vejo aberto por aí, nas bandas da Cidade Baixa não é muito difícil encontrar algum lugar para beber uma boa cerveja gelada.
Passo a observar quem se aproxima, entre risadas, sorrisos e um clima amistoso meu olhar encontra o que há de diferente nessa noite em meio a uma semana truculenta. Mal sabe ela que a observo, vejo a melancolia perpassar seus olhos. Até parece que seu coração se encontra partido. Fragmentos de um sentimento que recentemente se foi, mas que permanece em seu peito.
Ela não dá muito tempo para o garçom descansar, bebe o seu trago como se o dia fosse tardar a nascer, como se aquele momento fosse a onda de uma mar a lhe engolir, de forma estúpida e violenta.
Me pergunto enquanto a observo, o que faz ela transparecer tanta melancolia. Como alguém pode se entregar assim, sem precedentes a um sentimento que um dia pôde fazer seus olhos ficarem cintilantes. Creio que em algum dia todos já passamos por isso, mesmo que em diferentes intensidades.
Em minha mente escrevo o seu dia, não a conheço, mas ela se faz tão transparente que não consegue esconder nem o soluço de choro engasgado. Me parece que a cada gole daquele trago que a queima por dentro afoga mais um pouco de um sentimento que confronta os seus sentidos.
Aquela dor me afeta, paira em corpo como se fosse minha. O disfarce não me engana, não deixa desviar o olhar daquela cena que deprime. Tento criar coragem para chegar, mas o medo de um bloqueio dela que a faça se esmagar mais ainda nessa dor tranca o meu impulso.
Eu poderia dizer algumas frases clichês, aquelas pré-prontas que de tão otimistas um dia podem vir escritas em uma caixa de cereal que tu come no café da manhã. Mas isso é só bobagem, mais uma besteira desnecessária pra ela que se esconde.
É como ouvi hoje mais cedo…
“Como vai fazer agora sem o seu amor? Mais um gole para a garganta pra esquecer o que passou.”
Altas horas da noite, pensamentos soltos. Estou em frente ao computador enquanto na cama tu te encontra adormecida. Até parece que dormiu sorrindo.
Eu gostaria de descobrir qual o motivo do teu sorriso. Não sei se eu te faço bem, se eu te faço mal… ou se eu apenas faço.
Um fim para um novo começo, ando pensando bastante nisso, mas eu não sei parar de olhar esse teu sorriso sonolento, esses teus olhos brilhantes. Tua boca é linda, teu cheiro é bom, teu sexo é magnífico. Me sinto bem contigo.
Mas eu tenho vontade de fugir, vontade de voar por aí, te deixar atrás, sumir. Não encontro coragem suficiente para te dizer isso. Esse teu jeito de menina presa em um corpo de mulher me assombra o pensamento, me corroe os dias.
Pensei em inúmeras formas de te dizer que não posso mais, que a minha vida não foi feita pra ti, que o meu caminho eu busco só, mas teu corpo não me deixa ir embora. Deixa eu ir, não me prende em ti, não me olha mais desse jeito, eu apenas preciso partir.
Larga de mão esses teus jogos de cama, tuas fantasias frenéticas, teus desejos intermináveis. Eu gosto disso, e não consigo me conter. Eu sei, não é só cama, é carinho, acho que até um pouco mais do que isso. Mas eu não posso mais, entende?
Saio pra rua, leio um livro, viajo madrugada a dentro sem sair do lugar. Procuro outras pessoas mas não vejo nada além de ti.
Porra! O que eu vou fazer contigo?
Não te basta ficar em meus pensamentos?
Por que tu quer mais do que isso?
Me explica, eu preciso entender…
Esse teu cabelo castanho que eu pego com as mãos cálidas, logo te envolvo nos braços, te domino, te faço minha. Tu é minha.
Apenas não sei até qual ponto sou teu.
Tua hora de ir trabalhar chega daqui a pouco mais, e não sei como te deixar sair sem te dar um beijo na boca, aquele beijo com gosto de café sem açúcar. Até parece que eu vejo o teu sorriso dizendo que vai me esperar chegar do trabalho com a janta pronta, vestindo a lingerie que eu mais gosto.
É golpe baixo.
Será que tu te dá conta que eu preciso ser livre?
Ninguém é tão inocente assim.
Mas me diz…
Quando é que eu vou te ver de novo?
Tchê! O que eu estou pensando? Acabei de te querer longe e já te quero perto novamente.
Chega disso.
Reparou como tu me deixa atordoado?
Essas coisas de paixão me servem até certo ponto, mas quando a situação fica densa, eu não sei lidar.
Quem sabe então tu fica e me faz mudar, me tira dessa vida de querer descobrir o mundo. Eu já vi demais, eu só preciso de um porto seguro. Então segura a minha mão! Não vou mais implicar com a tua escova de dentes que por descuido tu esqueceu no meu banheiro, nem com o meu roupeiro desajeitado que tu deu um jeito de arrumar… te instala aqui, na minha casa e no meu coração.
Vem de vez, que eu deixo essas bobagens de liberdade fajuta de lado e te faço feliz.
Aos meus casos e acasos:
Foste assim como um sonho, como aquela nuvem desenhando o céu azul;
Como o dia ensolarado de primavera, cheio de flores e tons coloridos;
Como um sorriso singelo aguardando um olhar sincero;
O sopro de alegria em um coração doente;
A vida para quem quis viver intensamente;
Melodia de uma canção que chega doce aos ouvidos;
A maciez de mãos que tocam a pele com delicadeza;
A fortaleza de um desejo sem igual;
Me arrastou por aí como um furacão sedento de desejo;
Foste sem início, sem meio, sem fim;
O momento tranquilo, conturbado, apaixonado.
Então te digo…
Ó meu bem, se foste assim tão de repente, quem sabe então fique para sempre.
Hoje me peguei olhando para os lados com um livro nas mãos escutando aquela doce melodia, acho que foi saudade.
A grama estava gostosa, e o café sem açúcar, mas com afeto. O livro é bom, mas me perdi entre aquelas linhas, falava sobre a subjetividade, os contatos recíprocos, porém não simétricos, o poder das palavras, gestos e das ações dos indivíduos. Em tempos reflexivos como o de agora nada melhor para me reportar a certas ocasiões.
Esses dias eu senti o cheiro do perfume que me adoçou a alma, engraçado foi quase atacar aquela guria na rua para saber o nome daquele cheiro, já que tu nunca quis me dizer. Claro, não era o mesmo cheiro que sentia em ti, afinal a fragrância sempre muda no corpo de cada um, é como se fizesse do corpo uma morada.
O céu está tão bonito hoje, e a noite deveras agradável. Ao mesmo tempo que penso em ti, eu me sinto leve. Acho que os dias estão passando, voltei a fazer coisas que não fazia há muito tempo. Voltei pra mim, como não me tinha, mas como me queria. Sem mais nem menos, apenas em mim e comigo.
Isso me faz bem, me faz provar novamente uma liberdade gostosa, sem precisar de nada além daqueles que eu quero bem. Senti vontade de te contar as minhas últimas novidades, e sorrir com isso. Quis compartilhar contigo o bom e velho café, jogando conversas intelectuais pelos ares, e rir de bobagens. Apenas senti.
Minha subjetividade anda gritando por aí, mas só entende quem não vê as coisas de forma objetiva, é uma boa forma de interpretar… Sabia?
Acho que sim, na verdade creio que saiba.
Caí nos véus de um ledo engano, e o melhor disso é saber que posso levantar, saber que mais uma vez sem perceber tu acabou me fazendo bem, mesmo que as duras penas.
Vai entender essas peças que a vida traz? Mas como bons atores seguimos no ritmo.
Sei que entre Schutz, Luckmann e Simmel, eu te declaro uma saudade repleta de sociologia.
O verão começou um pouco tarde por aqui, creio que o início de um novo ano marca de fato as novas estações.
Não sei dizer ao certo onde as coisas ficam ou em qual lugar se encontram, e as pessoas… essas tão vazias, perdidas em seus sonhos utópicos, submersas e fora da realidade cotidiana.
Eu sigo a mesma rua, todos os dias, vejo as mesmas pessoas e a mesma aparência mórbida deste bairro, perdido em uma capital sem cor.
O que me alegra é ver o sorriso dela, sempre com o mesmo jeito, o caminhar discreto, os fones nos ouvidos, o semblante sereno que se apresenta muito diferente do meu. Ela trata as coisas como se fossem simples - ao menos aparenta - em momentos até parece que os dias são mais bonitos enquanto vejo o caminhar dela, mas quando dobra a esquina tudo desaparece.
Continuo a caminhar, só e pensante, perdida em pensamentos insólitos, buscando incessantemente o próximo caminhar dela.
Quando chego em casa, nada mais recordo, faço questão de deletar o dia, na verdade, o divido em esferas… trabalho, faculdade, família, amigos e assim por diante. Em vezes me atrapalho ao tentar unir as fragrâncias que cada esfera me proporciona, mas nunca deixo de me deleitar no prazer que cada uma traz.
A vida anda tão corrida, e eu sempre tão dispersa que acabo por esquecer pessoas, lugares e compromissos, acho que caminho em dias de introspecção constante, apenas buscando uma nova paisagem nesses meus dias febris.
A garota da rua que me faz suspirar, não vejo há dias, nem sei se aqui habita ou se está só de passagem, é difícil entender uma vida que não é minha.
Já pensei em conversar, puxar o papo “nada a ver”, mas sinto vergonha, e a vergonha me faz ter desejo de ter esta iniciativa.
Mas o fato da inferioridade me assusta, creio que tenho que aprender a ser autoconfiante. Meus amigos acham isso besteira, dizem que sou até “cara de pau” demais, porém, quando o bicho pega, me sinto como criança querendo se esconder das visitas de família, como aquelas tias chatas que te apertam as bochechas e comentam sobre o seu peso, medidas e todo o blábláblá convencional.
Não sei explicar o que sinto quando a vejo, sei que minhas entranhas se reviram por dentro a espera dela, e quando a vejo passar fico louca, mesmo a perdendo de vista em poucos minutos.
Às vezes até parece que meu mundo gira em torno dela… embora eu saiba que muitas coisas acontecem, que muitas pessoas passam pela minha vida, todos os dias, em diversas formas, algumas deixam marcas e outras apenas a aparência. O que me prende ao jeito dela me deixa intrigada, com inúmeros questionamentos enquanto assisto os seus movimentos deslumbrantes.
Mais um dia se esvai, mais uma noite chega, e não sei como proceder, gostaria de adivinhar por entre os sonetos qual será a canção que vai embalar meu dia, minha vida. Já está ficando tarde para descobrir certas coisas em mim, preciso correr, o tempo não perdoa, nem se arrasta, ele corre, e corre sem parar.
Quem sabe eu consiga colocar os ponteiros do tempo ao meu lado, ou então posso ver as areias da ampulheta em contagem regressiva, e o meu tapete sendo puxado mais uma vez. Preciso de perspicácia, preciso de coragem, preciso de um novo senso, mais um momento, mais sorrisos, mais, muito mais.
Amanhã pretendo ver o pôr-do-sol, e com sorte o sorriso dela, leve e deslumbrante, talvez um novo impulso para o esquecimento. Quero esquecer antes que o verão acabe, do bem e do mal que ela me faz, pois adoro o seu jeito de levar a vida, o jeito que sempre aparenta, mas vê-la passar sem poder trocar as velhas palavras me atordoa.
Preciso finalizar, correr para desprender o nó.